Segurança ou custo? O impasse sobre o CVaR a partir de 2027
A consulta externa do Comitê Técnico PMO/PLD sobre a calibração do CVaR a partir de 2027 recebeu 46 contribuições, com posições divididas entre a manutenção do parâmetro atual 15/40 e propostas de redução para 15/35, 15/30 ou 15/25. O CVaR é o mecanismo que aumenta o peso dos piores cenários hidrológicos nos modelos de operação, influenciando o despacho térmico, a preservação dos reservatórios e a formação do PLD.
A discussão central envolve o equilíbrio entre segurança energética e custo para os consumidores. Parâmetros mais conservadores, como o 15/40, tendem a preservar mais água nos reservatórios e acionar térmicas preventivamente, elevando custos no curto prazo. Parâmetros menos conservadores tendem a reduzir o despacho térmico preventivo e aliviar o PLD, mas podem aumentar o risco de necessidade futura de despachos fora da ordem de mérito, com repasse por encargos.
Geradores hidráulicos e empresas com maior exposição à segurança de suprimento defenderam a manutenção do 15/40, alegando cautela operacional. Já associações de consumidores, comercializadores e geradores renováveis defenderam reduções, especialmente para 15/30, apontando possível economia em geração térmica e redução tarifária. A alternativa 15/35 aparece como uma posição intermediária, defendida por agentes que entendem que ela preserva critérios de segurança com menor impacto tarifário.
A discussão do CVaR define quem paga e quanto paga pela segurança adotado pelo sistema elétrico. Um parâmetro excessivamente conservador pode transformar a busca por segurança energética em uma política permanente de despacho térmico preventivo, com custos elevados incorporados ao PLD, às tarifas e à conta dos consumidores.
O ponto mais sensível é que o consumidor já suporta múltiplos custos: encargos setoriais, custos de transmissão, contratação de reserva de capacidade, subsídios e efeitos tarifários de decisões operativas. Nesse contexto, manter o 15/40 sem demonstrar a proporcionalidade entre custo adicional e ganho efetivo de segurança pode representar um montante excessivo de custos. Segurança energética é indispensável, mas precisa ser medida pelo seu benefício incremental.
A modificação dos parâmetros do CVaR só é defensável se os estudos demonstrarem aderência aos critérios de segurança, robustez dos modelos e adequada representação da redução de riscos de despacho fora da ordem de mérito. A demanda atual é uma calibração tecnicamente transparente, economicamente proporcional e sujeita a revisão periódica, evitando tanto o conservadorismo excessivo quanto a transferência futura de custos por encargos.