Fusão nuclear pode revolucionar a energia até 2035

Fusão nuclear pode revolucionar a energia até 2035

Abel Holtz

Os profissionais que trabalham com fusão nuclear buscam vencer obstáculos cruciais para transformar a energia de fusão em algo comercialmente factível, motivados pela necessidade energética crescente de gigantes do setor de tecnologia. Os Estados Unidos emergem como um polo de aportes financeiros em tecnologias de fusão, com 29 empresas explorando métodos variados para construir um reator que possa ser viável no comércio, conforme dados divulgados pela Associação da Indústria da Fusão (FIA) em julho passado.

Diferentemente das usinas nucleares atuais, que utilizam a fissão (quebra de núcleos atômicos), a fusão junta núcleos pequenos, liberando mais potência e gerando subprodutos radioativos em menor volume. Contudo, a fusão permanece no campo experimental, e os responsáveis ainda não alcançaram um saldo energético positivo que seja atrativo para o mercado. Não obstante, os investimentos aumentam, com companhias importantes como Chevron e Shell ingressando nesse nicho. O presidente da FIA, opinou que a fusão pode ser uma alternativa de médio prazo para as dificuldades energéticas que as corporações terão daqui a alguns anos, possivelmente por volta de 2030 ou 2035.

Aproximadamente três quartos dos desenvolvedores de fusão preveem colocar em funcionamento uma unidade experimental comercial entre 2030 e 2035. Recentemente, pesquisadores do Laboratório Nacional Lawrence Liver (LLNL) more conseguiram iniciar a fusão controlada através de lasers e repetiram esse feito múltiplas vezes. O maior desafio para esses pioneiros é projetar um equipamento capaz de aguentar temperaturas elevadas e nêutrons sem incorrer em despesas proibitivas. A maior parte das companhias foca em reatores do tipo tokamak (um dispositivo em forma de rosquinha que utiliza campos magnéticos poderosos para confinar plasma superaquecido para pesquisas de fusão nuclear controlada), embora outras estejam investigando sistemas de fusão distintos.

Em dezembro de 2022, pesquisadores do Laboratório Nacional Lawrence Livermore (LLNL) obtiveram a ignição por fusão, um ponto crucial que pode fomentar a energia limpa. Eles replicaram esse feito diversas vezes, mas o obstáculo permanece sendo erguer equipamentos que aguentem calor intenso e radiação com valores competitivos. A maior parte das corporações sediadas nos EUA concentra seus esforços em tokamaks para os estudos sobre fusão.

A fusão não solucionará de imediato as questões de energia, contudo representa uma alternativa para o futuro, com a expectativa de ser viável até o findar da década de 2020 ou o começo da de 2030, conforme declarou o chefe da FIA. Ultimamente, companhias de tecnologia iniciaram aportes financeiros e selaram contratos de aquisição de eletricidade com quem desenvolve a fusão, como, motivados pelo aumento na necessidade de energia, principalmente vindo de centros de dados. A CFS (Commonwealth Fusion Systems) firmou um acordo com o Google para uma instalação na Virgínia, ao passo que a Helion Energy captou 425 milhões de dólares e iniciou a construção de sua primeira central em Washington, que suprirá a Microsoft.

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