Alemanha prepara novos leilões de térmicas

Alemanha prepara novos leilões de térmicas

A Alemanha está acelerando um movimento que pode redefinir parte do debate europeu sobre segurança energética: o governo pretende realizar já em setembro os primeiros leilões para contratação de novas usinas termelétricas a gás, com foco em garantir estabilidade ao sistema elétrico diante da expansão acelerada das renováveis e da saída gradual do carvão.

O plano prevê inicialmente 9 GW de capacidade contratada em dois leilões, marcados para setembro e dezembro de 2026, além de uma rodada adicional de 2 GW em 2027, que poderá incluir baterias e outras tecnologias de flexibilidade. As novas plantas devem entrar em operação até 2031.

Mesmo com forte expansão de eólica e solar, o país entende que precisará de capacidade despachável para cobrir períodos de baixa geração renovável, especialmente após o desligamento nuclear e durante o phase-out do carvão. Nesse contexto, o gás aparece como solução para assegurar confiabilidade e competitividade industrial.

Ao mesmo tempo, Berlim tenta equilibrar segurança energética e metas climáticas. As novas usinas deverão ser “hydrogen-ready”, com obrigação de adaptação gradual para uso de hidrogênio até 2045. A proposta, porém, enfrenta críticas relevantes dentro da própria coalizão governista. Os opositores argumentam que o programa pode prolongar a dependência europeia do gás natural por décadas e criar lock-in fóssil.

Outro aspecto importante é o impacto econômico. O governo estima custos bilionários para viabilizar os projetos, com parte do financiamento vindo de encargos tarifários. Isso reacende discussões sobre competitividade industrial, custo da transição energética e desenho dos mercados de capacidade na Europa.

O movimento alemão também reforça uma tendência que vem ganhando força globalmente: mercados altamente comprometidos com renováveis estão revisitando o papel da geração térmica flexível como suporte estrutural à confiabilidade do sistema. A discussão passou a ser “como combinar flexibilidade, estabilidade e descarbonização em larga escala”.

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