Preços de energia caíram. É hora de contratar ou esperar?
O mercado de energia apresentou um movimento de acomodação dos preços ao longo dos últimos 30 dias, revertendo parte da valorização observada nos meses anteriores. As reduções ocorreram praticamente em toda a curva de contratação, abrangendo energia convencional e incentivada, embora tenham sido mais pronunciadas nos produtos com fornecimento até 2029. Para contratos de longo prazo (2030 e 2031), as oscilações foram pequenas e, em alguns casos, observou-se leve valorização na última semana.
Apesar dessa correção de curto prazo, a estrutura da curva de preços continua indicando um mercado relativamente pressionado para os próximos anos. Quando comparados aos valores negociados há doze meses, os preços para fornecimento a partir de 2027 permanecem significativamente superiores, refletindo a incorporação de novos riscos estruturais pelo mercado, especialmente relacionados às perspectivas hidrológicas, ao aumento esperado do despacho termelétrico, aos encargos setoriais e às incertezas regulatórias.
Outro aspecto relevante é que a redução observada no último mês ocorreu sem deterioração dos fundamentos do sistema elétrico. Os níveis de armazenamento permanecem elevados, próximos de 72% da capacidade do SIN, enquanto as previsões de Energia Natural Afluente (ENA) para julho permanecem acima da média histórica. Esse comportamento evidencia que a recente acomodação dos preços decorreu mais de uma revisão das expectativas dos agentes do que de uma mudança estrutural nas condições de oferta e demanda.
A curva forward também demonstra que o mercado permanece em uma fase de estabilização após um período de elevada volatilidade observado ao longo dos últimos doze meses, principalmente para contratos com entrega em 2026. As oscilações registradas nas últimas semanas foram reduzidas. Entretanto, essa estabilidade ainda não representa uma tendência consolidada, uma vez que os preços continuam bastante sensíveis às revisões do Programa Mensal de Operação (PMO), às projeções hidrológicas.
O mercado continua precificando um cenário de relativa segurança operacional no curto prazo, sustentado pelos elevados níveis dos reservatórios e pela crescente participação das fontes renováveis. Entretanto, permanecem fatores que limitam reduções mais expressivas dos preços, como a expectativa de crescimento da carga e da configuração de um El Nino mais acentuado e a o despacho de usinas termelétricas para atender os horários de maior consumo. Esses fatores contribuem para manter um piso estrutural mais elevado para os preços da energia. Nesse contexto, é provável que a volatilidade permaneça elevada nos próximos meses.
Outro indicador importante é o posicionamento da curva em relação ao histórico. Os preços de energia convencional e incentivada continuam situados entre os 20% mais elevados da série histórica para praticamente todos os anos entre 2027 e 2030. Isso indica que, embora tenha ocorrido uma correção recente, o mercado ainda negocia energia em níveis historicamente elevados, refletindo uma percepção de risco estrutural superior à observada nos últimos anos.
Para consumidores com contratos a vencer entre 2027 e 2029, o momento recomenda atenção. A expectativa de estabilidade ou de novas acomodações de curto prazo poderá abrir janelas mais favoráveis para novas aquisições. Por outro lado, considerando que os preços continuam acima das médias históricas e que permanecem riscos relevantes, estratégias graduais de contratação, combinadas com monitoramento permanente das condições hidrológicas e da evolução do mercado, continuam sendo a alternativa mais prudente para mitigar riscos e aproveitar eventuais oportunidades de mercado.