Volatilidade dos preços de energia: entenda o movimento do mercado.

Volatilidade dos preços de energia: entenda o movimento do mercado.

Uma das grandes dúvidas apresentadas por empresas que buscam entrar no mercado livre de energia é sobre como são formados os preços de energia no mercado e por que variam tanto. A volatilidade dos preços de energia é uma constante, visto que são diversos os fatores que contribuem na definição do valor a ser pago na sua contratação.

Sabe-se que o maior benefício de fazer parte do mercado livre de energia é a possibilidade de negociar preços, prazos, volume e formas de pagamento de acordo com a capacidade e demanda de sua empresa. No entanto, a alta variação que se observa nos preços trazem riscos importantes para as empresas que operam nesse mercado.

Nesse artigo, vamos apresentar alguns pontos importantes sobre os fatores que interferem nos preços de energia e favorecem sua volatilidade. Prepare-se, leia com atenção e esclareça suas dúvidas sobre o mercado livre de energia. 

Como são definidos os preços de energia no mercado livre?

A contratação de energia elétrica gera algumas dúvidas no modelo “tradicional”, o Ambiente de Contratação Regulada (ACR), em que o “preço” é definido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), de acordo com os parâmetros definidos no contrato com a distribuidora local, com a forma do seu consumo e pelas bandeiras tarifárias. No mercado livre de energia, o Ambiente de Contratação Livre (ACL), há uma complexidade adicional e é possível negociar volumes, flexibilidades, preços e condições de pagamento com a geradora ou comercializadora de energia.

Volatilidade dos preços de energia

A energia do mercado livre é proveniente da produção das usinas instaladas no país. Em cada instante, o montante de energia gerado é igual ao consumo mais as perdas do sistema. Não é possível gerar mais do que se consome. Se a geração for menor, uma parte dos consumidores serão desligados e ficarão sem energia. 

O preço da energia dependerá das usinas usadas na geração a cada instante. Se em determinado intervalo de tempo são usadas somente usinas hidrelétricas, eólicas e solares para atender ao mercado, o preço de energia é baixo. Nos intervalos em que temos poucas chuvas, é necessário diminuir a geração hidrelétrica pois “falta” o combustível necessário para produzir energia – a água. Torna-se então necessário acionar as  usinas termelétricas, que queimam combustíveis como o gás natural, carvão ou óleo diesel, e sua geração é mais cara. Os preços então sobem.

Então, no mercado de curto-prazo, ou seja nesta semana e nos próximos dois ou três meses, o preço da energia depende fortemente das condições climáticas. Ele é determinado matematicamente por um software que busca minimizar os custos para a sociedade avaliando, simplificadamente, as seguintes informações:

  • Usinas disponíveis para geração: Todos os dias, os geradores informam ao Operador Nacional as usinas que podem ser programadas a operar;
  • Novas usinas que vão iniciar sua operação comercial nos próximos meses;
  • Volume de água (ou quantidade de energia), armazenada nos reservatórios das usinas hidrelétricas;
  • Preços dos combustíveis usados pelas usinas termelétricas;
  • Previsão do consumo de energia pelos consumidores;
  • Previsão de chuva nos próximos dias, semanas e meses, que afetarão o volume de água que chegará nas usinas hidrelétricas.

A partir desse conjunto de dados, o software de otimização de custos determinará o conjunto de usinas que deve operar ao longo de cada dia. Serão comandadas a operar tantas usinas quanto necessárias para atender ao consumo a cada instante. O preço de energia no mercado de curto prazo, de maneira simplificada, tem forte relação com o Custo Marginal de Operação, que representa o custo de geração da usina mais cara que está sendo despachada para atender ao mercado consumidor.

Esse preço é calculado diariamente pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e conhecido como Preço de Liquidação de Diferenças (PLD), expresso em R$/MWh. Esse é o preço é estabelecido hora a hora de cada dia pela CCEE para cada região do país – Norte, Nordeste, Sudeste / Centro-Oeste e Sul. Além disso, tem um valor mínimo e máximo, definido anualmente pela ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica.

Já os preços praticados no mercado de longo prazo, ou seja para daqui dois ou três anos, estão mais relacionados com o custo de energia que será produzido por uma nova usina que possa ser construída, Tem forte relação com o custo marginal de expansão, ou seja, o custo para produzir um novo MWh.

Se há um preço mínimo e máximo, por que há volatilidade dos preços de energia no mercado livre de energia?

Como explicado, o preço a cada hora depende das usinas que são despachadas para atender ao total de consumo da sociedade. Se os reservatórios das usinas hidrelétricas estão cheios, se chover pouco ou muito, pode-se usar a água estocada nos momentos de poucas chuvas. Nessa situação os preços apresentam baixa volatilidade, pois as usinas hidrelétricas podem atender às variações do consumo ao longo das horas do dia. 

Quando os reservatórios das usinas hidrelétricas estão baixos, essas usinas têm capacidade limitada para atender ao mercado consumidor. As previsões de chuvas para os próximos dias e próximas semanas determinarão a quantidade de usinas termelétricas que  serão acionadas para atender o mercado. Os preços então sobem. Se houver previsão de fortes chuvas, usa-se mais geração hidrelétrica e os preços caem. 

Essas constantes alterações das condições conjunturais do clima, o nível de armazenamento dos reservatórios e a previsão de chuvas provocam mudanças significativas das usinas que são despachadas, determinando a volatilidade dos preços do mercado de curto prazo. Os preços de curto prazo são sempre mais voláteis – para cima ou para baixo, que os de longo prazo.

Os preços de longo prazo são menos influenciados pelas condições conjunturais. Há sempre boa probabilidade que as chuvas se normalizem e há tempo para construir novas usinas para atender o mercado. Os preços de longo prazo apresentam menor volatilidade, quando comparados aos de curto-prazo.

A volatilidade dos preços é boa ou ruim?

Naturalmente, o viés dos preços – em alta ou em baixa, e a situação dos contratos de energia de minha empresa vão determinar se essa volatilidade é favorável ou não. 

Se a empresa tem contratos que suportam todo o consumo a cada mês, sem necessidade de compra ou venda de energia no mercado de curto prazo, o viés de preços em alta ou em baixa é indiferente para os custos de energia.

Já se a empresa estiver total ou parcialmente descontratada, quando o viés dos preços é de baixa, a energia comprada no mercado de curto prazo será mais barata, favorecendo os resultados. Se o viés for de alta, o orçamento de energia poderá ser comprometido. 

Se a empresa estiver sobre contratada, ou seja, tem volume contratado maior que o seu consumo, a situação é inversa. Preços altos trarão resultados positivos com a venda de sobras no mercado de curto prazo.

As posições de estar 100% contratado, sobre contratado ou subcontratado em determinado período podem fazer parte da estratégia de suprimento. A sua construção requer expertise e acompanhamento constante de mercado para ser bem sucedida.

Para evitar surpresas com a mudança de viés de preços, é necessário acompanhar as situações estruturais e conjunturais do mercado. Antecipando-se, na medida do possível, com novas medidas e mudança de estratégia.  

Vale a pena migrar para o mercado livre de energia com essa volatilidade de preços?

Mesmo com a volatilidade dos preços de energia no mercado livre, a possibilidade de negociar com geradoras e comercializadoras de energia pode representar para o seu negócio uma economia de até 35% com os custos de energia se comparado com os praticados no mercado regulado. O importante é acompanhar o mercado e saber a hora exata de entrar no mercado livre de energia, negociando contratos com preços conhecidos e vantajosos para sua empresa. 

No mercado livre, pode-se contratar energia com vários anos de antecedência, conhecendo-se os preços e os resultados que esse novo mercado poderá oferecer.

Entenda o movimento do mercado de Energia Elétrica

Para minimizar os riscos de migrar e operar no mercado livre, o ideal é contar com uma consultoria especializada nesse mercado. Dê preferência ao consultor independente, que não faça parte de grupos econômicos que produzem e vendem energia de modo a evitar os possíveis riscos de conflitos de interesse. O advisor terá contato direto com os diversos fornecedores do mercado livre e buscará os melhores preços e condições contratuais para o seu negócio, além de acompanhar as oscilações do mercado para apontar os melhores momentos para a compra de energia. 

Se você quiser saber mais sobre o mercado livre de energia e como a Replace Consultoria pode melhorar o desempenho energético da sua empresa, fale com um de nossos consultores!

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