Panorama da energia do mundo

Panorama da energia do mundo

Carlos Schoeps e Abel Holtz

De acordo com o Energy Institute Statistical Review of World Energy 2025, a matriz energética mundial em 2024 atingiu 592 EJ (exajoules), o equivalente a cerca de 174 milhões de barris de óleo. O panorama continua fortemente concentrado em combustíveis fósseis, que responderam por aproximadamente 86,7% da oferta total de energia: o petróleo lidera com 199 EJ (34%), seguido pelo carvão com 165 EJ (28%) e pelo gás natural com 149 EJ (25%). As fontes não fósseis – hidrelétricas (33 EJ, 6%), nucleares (31 EJ, 5%) e outras renováveis (solar, eólica, biomassa moderna, geotérmica, somando 16 EJ, 3%) – representam apenas 13,5% do consumo global de energia, ainda que com participação crescente em segmentos específicos, como geração de eletricidade.

Na demanda global de eletricidade, o crescimento projetado para os próximos anos está fortemente associado à expansão de setores industriais intensivos em energia e ao aumento do uso de ar-condicionado, especialmente em regiões de clima quente e em economias emergentes. Isso reforça a relevância de fontes capazes de atender grandes blocos de carga com confiabilidade – papel no qual gás natural, carvão e nuclear continuam centrais em muitos sistemas elétricos. Ao mesmo tempo, a penetração de solar fotovoltaica e eólica pressiona a necessidade de maior flexibilidade operativa, expansão de redes de transmissão e soluções de armazenamento de energia para acomodar variações de geração ao longo do dia e das estações.

O relatório Renewables 2025 da IEA projeta a entrada de cerca de 4.600 GW adicionais de capacidade renovável até 2030, volume equivalente à capacidade combinada de China, União Europeia e Japão. A maior parte desse crescimento virá de energia solar fotovoltaica, que tende a permanecer como a tecnologia com menor custo nivelado de energia (LCOE) em boa parte dos mercados, e de energia eólica onshore, cuja expansão deve se recuperar à medida que gargalos de cadeia de suprimentos sejam superados. A eólica offshore, por sua vez, tem expectativas mais moderadas, com cerca de 25% menos capacidade prevista em relação a projeções anteriores, em função de revisões de políticas e elevação de custos de investimento.

Outras fontes específicas também ganham relevância técnica no planejamento do setor elétrico global. As instalações geotérmicas devem crescer de forma expressiva em países como Estados Unidos, Japão e Indonésia, oferecendo geração firme com alta taxa de disponibilidade. A hidreletricidade reversível (pumped storage) é apontada como peça-chave para serviços de armazenamento em larga escala e regulação de frequência, atuando como “bateria gravitacional” para sistemas com grande participação de fontes variáveis. Ao mesmo tempo, o gás natural e a energia nuclear seguem desempenhando papel importante na redução da utilização de termelétricas menos eficientes e na oferta de geração de base, com novos reatores elevando a produção nuclear a patamares recordes em alguns países.

Do ponto de vista de uma empresa de consultoria em energia, compreender a participação relativa e o papel técnico de cada fonte na matriz global é fundamental para subsidiar decisões de investimento, estratégia de suprimento e gestão de risco de grandes consumidores e agentes do mercado. A leitura integrada desses dados – petróleo, carvão, gás, hidrelétricas, nuclear, solar, eólica, geotérmica e armazenamento – permite construir cenários de preços, disponibilidade de energia, volatilidade e necessidade de flexibilidade que impactam diretamente contratos de longo prazo, avaliação de projetos de geração, migração de mercado e desenho de portfólios de energia em diferentes regiões do mundo.

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