Carvão bate recorde em 2025! E a transição energética está garantida?
A AIE indica que a demanda global por carvão cresceu 0,5% no ano, atingindo um recorde de 8,85 bilhões de toneladas, acima de 2024, embora o cenário-base ainda aponte para queda gradual até o fim da década. O avanço recente está ligado principalmente ao setor elétrico (cerca de dois terços do consumo), mas a agência projeta que a geração a carvão comece a recuar a partir de 2026 com a expansão de eólica e solar, crescimento da nuclear e maior oferta de GNL, enquanto o consumo industrial tende a ser mais resiliente.
O relatório destaca movimentos regionais distintos: queda na Índia por monções mais intensas, alta nos EUA por gás mais caro e políticas que desaceleraram desativações, e redução modesta na UE; já a China manteve consumo praticamente estável e segue respondendo por mais da metade do total, apesar de acelerar renováveis e mirar pico do carvão até 2030. A AIE ressalta incertezas (crescimento econômico, política e clima, sobretudo na China), aponta riscos de alta da demanda caso o consumo elétrico cresça mais rápido ou a integração de renováveis seja mais lenta, e projeta possível enfraquecimento do comércio global com menor importação chinesa, enquanto o carvão metalúrgico pode ganhar tração pela siderurgia indiana; com estoques altos e preços menores, a produção tende a cair na maioria dos grandes produtores até 2030, com a Índia como exceção.