Comercializadoras querem acionar geradores no CADE
As comercializadoras independentes de energia avaliam levar ao CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) uma representação contra grandes geradoras, sob a alegação de que a concentração de mercado e a mudança nas condições de negociação vêm agravando a falta de liquidez no Ambiente de Contratação Livre. Segundo os relatos mencionados, poucos grandes agentes concentram parcela relevante da oferta e teriam reduzido limites de crédito, encurtado a disposição para negociar e passado a exigir maiores garantias nas operações bilaterais, o que dificulta a atuação de parte das comercializadoras independentes.
Esse movimento ocorre em um contexto mais amplo de deterioração das condições de crédito no mercado livre, após episódios recentes de inadimplência, recuperações judiciais e reestruturações envolvendo algumas tradings. Como consequência, bancos e grandes empresas passaram a adotar postura mais conservadora, com maior seletividade de contrapartes e restrição de financiamento. Ao que parece, essa é uma dificuldade que afeta especialmente as comercializadoras independentes, que dependem mais intensamente de acesso a crédito, limites de contraparte e capacidade de rolagem contratual para sustentar suas operações.
Além dos problemas financeiros, fatores estruturais também pressionam o funcionamento do ACL, como curtailment, risco hidrológico e os efeitos da expansão da micro e minigeração distribuída sobre a dinâmica de oferta e demanda. No caso do curtailment, por exemplo, geradores obrigados a recomprar energia para honrar contratos aumentam a pressão sobre o mercado, e, se simultaneamente houver restrição voluntária de oferta por grandes agentes, a escassez de liquidez tende a se agravar ainda mais. O quadro descrito sugere, portanto, um mercado que continua competitivo em termos de disputa comercial ao consumidor, mas com dificuldades crescentes de liquidez e financiamento, problema que parece recair com mais força sobre as comercializadoras independentes.