PLD em 2026 e 2027: como construir sua estratégia
Quando olhamos para 2026, 2027 e 2028, a combinação entre parâmetros de risco do CMSE e expansão do sistema com usinas renováveis, ampliação da transmissão e novos contratos de reserva de capacidade, desenha trajetórias para o PLD em função da hidrologia.
2026: aversão ao risco alta, hidrologia manda no preço
Em 2026, o CMSE decidiu manter CRef (Curva de Referência dos reservatórios) e CVaR (parâmetros de aversão ao risco) nos mesmos termos de 2025. Os níveis de armazenamento tendem a se manter relativamente altos (SIN acima de 60% em 2025), mesmo com chuvas abaixo da média, o que indica um excedente estrutural de energia.
Considerando esse cenário, uma tendência qualitativa do PLD pode ser descrita como:
- ENA 80% da MLT: PLD médio/alto, com muitos períodos de preços parecidos com 2025, com maior despacho térmico.
- ENA 90% da MLT: PLD intermediário, com janelas de preços baixos intercaladas com picos em horas de maior consumo, especialmente no final do dia.
- ENA 100% da MLT: PLD baixo, com grande número de horas com preços baixos em boa parte do ano.
Resumo: em 2026, um cenário de 80% da MLT “puxa” o preço para cima de forma consistente. Em 90% e 100% MLT, os preços tendem a ficar mais comportados.
2027: mais oferta firme e transmissão
Nos próximos anos, há previsão de entrada relevante de solar (centralizada e distribuída), eólica, reforços de transmissão e leilões de reserva de capacidade, o que reduz o risco estrutural de déficit, com sobras de energia.
Tendência qualitativa de PLD:
- ENA 80% da MLT → PLD médio, com alguns períodos elevados, mas menos estressados que em 2026, amortecidos por nova oferta e maior flexibilidade.
- ENA 90% MLT → PLD baixo a intermediário, com muitos meses de preços comprimidos e altas pontuais.
- ENA 100% MLT → PLD baixo, com longos períodos perto do piso; o risco passa a ser mais de excesso de energia “barata” do que de escassez.
Em termos práticos, em 2027 só um 80% MLT realmente ruim deve gerar preços incômodos no acumulado anual.
2028: risco migrando de escassez para preços deprimidos
Mantida a trajetória do PDE, 2028 captura mais maturação de transmissão, renováveis e projetos de reserva de capacidade, além de possível ajuste fino na metodologia de risco (o
debate sobre “cautela excessiva” do CMSE já está na mesa desde 2025). Estruturalmente, o sistema caminha para um quadro de sobras de energia de baixo custo em vários períodos, com o desafio mudando de “garantir suprimento” para “lidar com curtailment e PLD muito baixo”.
Tendência qualitativa de PLD:
- ENA 80% MLT → PLD intermediário, com alguns episódios de preços mais altos, mas bem amortecidos pela expansão do parque e pela flexibilidade sistêmica.
- ENA 90% MLT → PLD baixo na maior parte do tempo, com eventos de preço alto cada vez mais pontuais.
- ENA 100% MLT → PLD muito baixo / próximo ao piso durante grande parte do ano; risco real de preços estruturalmente deprimidos e maior curtailment.
Para consumidores livres, autoprodutores e comercializadores, a mensagem é objetiva:
- 2026 ainda exige atenção ao risco de alta (em especial num 80% MLT).
- 2027 começa a consolidar um ambiente de preços mais comprimidos, salvo hidrologia ruim.
- 2028 tem alta probabilidade de PLD estruturalmente baixo, alterando a lógica de precificação, contratos de longo prazo e viabilidade de novos projetos de geração.
Numa empresa de consultoria em energia, esse tipo de leitura não é exercício acadêmico: é insumo direto para estratégia de contratação, desenho de portfólio, decisão de autoprodução e gestão de risco no mercado livre. Quem antecipa esses cenários e ajusta sua estratégia agora tende a capturar valor – seja protegendo-se de altas em 2026, seja aproveitando preços comprimidos em 2027–28 para contratos estruturados de longo prazo.