TAG x NTS: quem conecta o Porto do Açu ao gás?

TAG x NTS: quem conecta o Porto do Açu ao gás?

Adriano Pires

A TAG e a NTS disputam a rota para conectar o Porto do Açu (RJ) à malha integrada de gasodutos de transporte, tentando emplacar seus projetos no Plano Nacional das Infraestruturas de Gás (PNIIGB), elaborado pela EPE. O PNIIGB reúne projetos prioritários para ampliar oferta e mitigar gargalos para outorga pela ANP. Na consulta pública, a EPE recomendou o Gasoduto dos Goytacazes (Gasog), da TAG, como alternativa de menor custo sistêmico (R$ 1 bilhão e 45,5 km), frente ao Gasoduto de Integração Norte Fluminense (Gasinf), da NTS (R$ 1,9 bilhão e 100 km). A Gasinf pode se tornar expansão futura, a depender da evolução dos investimentos no complexo do Açu, que já concentra 3 GW em termelétricas a gás e estuda novos projetos industriais (siderurgia e fertilizantes).

Na consulta, a NTS contestou as premissas de custo da EPE e afirmou que o Gasinf custaria R$ 1,146 bilhão, e que a comparação deveria considerar custos globais e capacidades máximas, para evitar decisões “baratas no curto prazo” e mais caras no longo prazo. A GNA (terminal de GNL e térmicas do Açu) também apontou falhas por não incorporar integralmente dados e premissas técnicas submetidos, defendendo que a análise inclua impactos e benefícios ao sistema de transporte e ao mercado de gás, e não apenas CAPEX. A TAG, por sua vez, reforça

que o Gasog combina traçado otimizado, menor custo sistêmico e mitigação de riscos construtivos, além de evitar sobreposições com dutos existentes.

O ponto decisivo é o efeito tarifário: se o duto for classificado como transporte, há risco de repasse para usuários de outras regiões. Se for classificado como gasoduto de conexão, os custos tendem a ficar mais associados aos beneficiários diretos, preservando a modicidade tarifária do sistema como um todo. A Abrace defende chamada pública para medir demanda efetiva antes de consolidar o projeto, dado que parte da demanda industrial ainda depende de investimentos não confirmados e as térmicas têm perfil mais flexível. A Abegás alerta para risco de entrega direta a consumidores finais, defendendo a coordenação com a concessionária local (Naturgy) e o respeito ao desenho constitucional de distribuição.

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