Riscos de aumento de custos com a expansão das energias renováveis
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) identificou riscos de sobrecarga devido ao crescimento acelerado da geração distribuída, que deve aumentar quase 50% nos próximos cinco anos. No curto prazo, não há riscos de blecautes ou racionamento no Brasil.
Investimentos para fortalecer o sistema elétrico
O Plano de Operação Elétrica de Médio Prazo (PAR/PEL) 2025-2029 prevê a necessidade de R$ 7,6 bilhões em investimentos para a expansão da infraestrutura elétrica, incluindo novas linhas de transmissão e transformadores, para mitigar os riscos de sobrecarga.
Estes investimentos vão aumentar as tarifas dos consumidores, na parcela que remunera os custos de rede. Muitas dessas linhas de transmissão serão utilizadas apenas em parte do dia. Aquelas que transportam energia de usinas fotovoltaicas vão operar menos de 12 horas por dia. Ou seja, estaremos pagando por uma ociosidade contratada de mais de 50%.
Há necessidade de planejar soluções para aumentar o uso dessas instalações, como por exemplo, instalando outros tipos de usina na mesma região para uso dessa infraestrutura. Os sistemas de armazenamento também são soluções a serem exploradas para reduzir os custos adicionais para os consumidores.
Desafios da expansão das renováveis
A expansão das usinas renováveis, centralizadas e geração distribuída, especialmente a solar, trazem desafios operacionais para a operação do sistema. A concentração da geração em determinados períodos e sua redução rápida ao final da tarde, impõem desafios para colocar outras usinas em operação para atender ao mercado.
A geração distribuída, por sua conexão direta às redes de distribuição, também impõem desafios operacionais para o ONS e distribuidoras de energia. Até 2029, o ONS prevê que quase 140 subestações de fronteira enfrentarão fluxo reverso, com riscos de sobrecarga de diferentes níveis.
Soluções propostas pelo ONS
Para equilibrar o sistema, o ONS propõe a adoção de usinas termelétricas flexíveis e armazenamento de energia. O ONS não indica os locais onde esses empreendimentos devem ser alocados. Seria importante avaliar a possibilidade de implantá-las em locais que permitam o aproveitamento da infraestrutura de transmissão existente, com reforços e investimentos mínimos para a sociedade.
Outra medida sugerida é a criação do operador de recursos energéticos distribuídos (DSO) para gerenciar a demanda e a geração distribuída. Essa nova organização seria responsável por acompanhar e gerenciar as usinas de pequeno porte, indicando, inclusive, seu desligamento em momentos específicos que possam causar problemas de segurança do sistema.
Impacto no custo da energia para consumidores
A adaptação do setor elétrico para lidar com o aumento da geração distribuída poderá resultar em fortes aumentos tarifários para os consumidores, mesmo em um cenário de excedente de capacidade de geração.
Os investidores não consideraram plenamente os efeitos da rápida penetração da geração distribuída, implantando usinas em locais de baixo consumo sem a devida avaliação da necessidade de novas redes de transmissão, ou o possível baixo crescimento ou redução da carga.
Essa prática vem resultando em alto volume de energia intermitente, necessidade de cortes de geração renovável, e outras medidas que, sem o suporte de hidrelétricas e termelétricas, comprometeriam a estabilidade do Sistema Interligado.
Revisão dos incentivos para energias renováveis
É necessário rever os incentivos concedidos às renováveis e estabelecer novas regras para garantir que esses geradores contribuam para a solução dos desequilíbrios que provocam. Outros países já adotaram mecanismos para melhorar a capacidade das usinas renováveis de atender ao mercado, servindo de exemplo para o Brasil.
Abel Hotz e Carlos Alberto Schoeps