Nas últimas semanas observou-se forte volatilidade no valor do PLD – Preço de Liquidação de Diferenças, utilizado pela CCEE para os ajustes na contabilização mensal.
Na região Sudeste, o PLD iniciou o ano no valor de R$ 196/MWh, atingiu R$ 236/MWh na semana de 10/03, caiu para R$ 40/MWh na semana de 31/03 e subiu novamente para R$ 216 na semana de 28/04. Houve uma variação de quase 500% para menos e para mais no período.
Um dos fatores que influenciam o valor do PLD é o volume de Energia Natural Afluente (ENA) nos reservatórios das usinas hidrelétricas. No mesmo período citado, a ENA do Sistema Interligado se situou no patamar de 90 GW médios por várias semanas, atingindo o máximo de 107 GW médios (mais 19%) e o mínimo de 76 GW médios (menos 16%).

PLD X ENA

Ou seja, enquanto a ENA variou menos de 20%, para mais ou para menos, o valor do PLD oscilou cerca de 500% para mais ou para menos, conforme mostrado no gráfico acima. Destaque-se que, na semana de 31/03, o PLD reduziu de R$ 229/MWh para R$ 40/MWh, mesmo sem um aumento expressivo na ENA.
Outro fator importante que pode influenciar na evolução do PLD é o volume de energia armazenado nos reservatórios. No gráfico seguinte é mostrada a evolução do reservatório equivalente do SIN e a variação do PLD médio semanal da região Sudeste.
Verifica-se que, desde o início do ano, o nível de armazenamento do SIN cresce gradativamente, atingindo cerca de 47% no final de abril, sem oscilações importantes em seu ritmo de enchimento, que justifiquem as oscilações verificadas no PLD.

Energia SIN

A análise desses dados mostra que a grande volatilidade verificada no PLD médio semanal não é decorrente direto da variação da ENA ou da evolução do volume de energia acumulado nos reservatórios. Ou seja, a formação do PLD não está representando adequadamente a situação energética e sua evolução no tempo.
O nível atual dos reservatórios hidráulicos, que não é confortável, e o nível verificado na ENA sugerem intuitivamente que o valor do PLD deveria se manter em um patamar razoavelmente elevado, com pequenas variações a cada semana, enquanto não há uma situação estrutural que justifique sua queda ou aumento bruscos. Não há razões físicas para uma volatilidade do PLD na magnitude verificada nas últimas semanas.
Conforme já discutido por diversos especialistas, há necessidade de rever a metodologia do cálculo do valor do PLD, de forma a refletir de maneira mais adequada as condições energéticas do SIN.
Para conviver com tamanha volatilidade nos preços de curto-prazo, o mercado é levado a praticar spreads mais elevados, onerando os preços de energia. A necessidade de operar em ambiente de maior risco, eleva a probabilidade de prejuízos e aumenta o risco financeiro, com maiores efeitos para as empresas de menor porte.

Carlos Schoeps