Aprimoramentos nos modelos oficiais de despacho energético do nosso Sistema Interligado Nacional estão em constante desenvolvimento, visando representar melhor a operação do sistema, tanto do ponto de vista elétrico quanto energético. No atual Programa Mensal de Operação (PMO), referente ao mês janeiro de 2018, foi a realizada a incorporação das perdas de transmissão nos intercâmbios de energia no cálculo de preços.
As perdas elétricas ocorrem, dentre outras formas, no transporte de energia, e até então não eram consideradas no momento da definição do CMO. Assim, o modelo interpretava que os preços entre os submercados eram equivalentes desde que os limites de intercâmbio de energia entre eles não fossem atingidos. Com a representação explicita das perdas na formação do custo, naturalmente haverá uma diferença de preços entre os diferentes subsistemas elétricos, uma vez que a região importadora de energia receberá energia com acréscimo no preço em relação à região exportadora.
Ao longo de 2017, estudos no âmbito do CEPEL objetivaram apurar os fatores das perdas das interligações, e indicaram os valores ilustrados no esquema abaixo.

Fatores de Perdas nos Intercâmbios – Jan/18. [Fonte: ONS]

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Os valores do PLD calculados nas primeiras semanas de janeiro já ilustram essa nova tendência de preços diferenciados por região, que agora estão mais aderentes à política operativa e fluxos da rede elétrica.
Essa nova realidade exigirá maior atenção às contratações de energia e também no processo de gestão mensal, em especial para os grupos empresariais que possuem unidades de consumo em diferentes submercados, ou mesmo àqueles que possuem unidades geradoras voltadas ao atendimento de unidades consumidoras localizadas em outros submercados. Garantir lastro contratual no mesmo submercado das cargas se torna ainda mais importante para evitar exposições às diferenças de PLD entre as regiões no processo de contabilização mensal.

Eduardo Malato