Com o início do novo Governo, a conclusão da construção da Usina Nuclear Angra 3 deve entrar na pauta de discussão do setor energético. Nesse sentido é importante conhecer um pouco mais o que vem ocorrendo com essa fonte de geração de energia no mundo.
As usinas nucleares fornecem cerca de 11% da eletricidade consumida no mundo, produzida por cerca de 450 usinas. Outras 60 novas usinas estão em construção e mais 150 usinas estão planejadas para construção nos próximos anos.

Usina Nuclear

A energia Nuclear é a segunda maior fonte de energia de baixo carbono do mundo. É utilizada em cerca de 50 países e conta ainda com outros 225 reatores destinados a pesquisas, produção de isótopos médicos e industriais e para treinamento.
Em 2016 as usinas nucleares forneceram cerca de 2.500 TWh de eletricidade, que corresponde a mais de 4 vezes o consumo de energia do Brasil. Os principais países que usam energia nuclear são: França (75% do consumo); Hungria, Eslováquia, Ucrânia e Bélgica (acima de 50%); Suécia (40%); República Checa, Finlândia, Suécia, Suíça e Eslovênia (mais de 35%); EUA, Reino Unido, Espanha, Japão e Rússia (mais de 20%).
No Brasil, a energia nuclear responde por cerca de 2% do consumo do país. Com a construção e Angra 3, esse percentual deve subir para cerca de 3%.
A Agência Internacional de Energia da OCDE indica forte crescimento no fornecimento de energia nuclear, duplicando a capacidade de geração até 2040, atingindo cerca de 5.500 TWh.
A World Nuclear Association apresenta cenário mais ambicioso, indicando a adição de mais de 1.000 GW de nova capacidade nuclear até 2050, que será responsável por fornecer cerca de 25% de eletricidade do mundo.
As novas usinas nucleares devem substituir usinas a combustíveis fósseis mais antigas, especialmente as movidas a carvão e atenderão também a parte do crescimento do consumo. Nesse cenário, as emissões de dióxido de carbono devem diminuir significativamente, com efeito muito positivo na qualidade do ar.
Estudos do Instituto de Energia Nuclear, dos Estados Unidos mostra que a indústria nuclear reduziu seus custos totais de geração em cerca de 20% desde 2012, atingindo cerca de US$ 33,50 por MWh assegurando competitividade para esta fonte.

(https://nei.org/news/2018/cost-of-nuclear-generation-reaches-10-year-low)

No Brasil, discute-se que, para conclusão de Angra 3, o custo da energia deve ser vendida aos consumidores por cerca US$ 120/MWh. Essa diferença de valores merece uma profunda discussão para identificar os fatores que provocam essa elevação nos custos.
Dentre outros, a tecnologia e equipamentos utilizados, que tem mais de 40 anos, a necessidade de modernização de equipamentos de comando e controle, as interrupções em sua construção são fatores que influenciam esse aumento de preços. Os desvios, sobrepreços e corrupção também contribuíram de maneira ainda não explicada devidamente