Uma das questões que se discute é o que acontecerá com os preços de energia no futuro, com a popularização das fontes energéticas renováveis, especialmente a energia eólica e fotovoltaica. Há uma forte expectativa que, com o barateamento dos custos para implantação dessas fontes geradoras, os preços vão baixar para o consumidor. Isso se dá pelo fato do combustível dessas usinas – o vento e o sol, ser abundante e sem custos.
Na prática, isso não vem acontecendo nos principais países do mundo, como mostra a matéria assinada por Michael Shellenberger, Presidente da Environmental Progress, publicada na Revista Forbes, que pode ser lida nestelink
De acordo com Shellenberger, nos últimos 8 anos o preço dos painéis fotovoltaicos diminuiu 75% e o dos geradores eólicos caíram 50%. No entanto, nos países que implantaram intensivamente essas fontes o custo de energia subiu: 51% na Alemanha entre 2006 e 2016; 24% na Califórnia no período de 2011 a 2017; mais de 100% na Dinamarca desde 1995.
A principal razão desse aumento de preços está na não previsibilidade da produção de energia dessas fontes. Ambas, solar e eólica, produzem muita energia quando são disponíveis e não necessariamente quando os consumidores necessitam, exigindo a disponibilidade de outras plantas geradoras – hidroelétricas, termelétricas, baterias, no momento em que essas fontes reduzam sua produção – quando o vento para de soprar e não há o brilho do sol.
Ou seja, pela natureza não previsível da geração das usinas solares e eólicas, há necessidade de implantação de outras usinas de “back-up” para atendimento do mercado, encarecendo o preço de energia para o consumidor.
Essas afirmações de Shellenberger merecem atenção e devem ser consideradas nas discussões sobre a matriz energética que utilizaremos na expansão da geração de nosso país, versus o patamar de preços que a sociedade está disposta a pagar por esse serviço.

Carlos Schoeps